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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA...

Alguns fatos marcantes... Vale a pena relembrar, refletir e contribuir para um mundo mais igualitário, amoroso e pacífico...
Ônibus no qual Rosa Parks foi presa ao não ceder lugar a um branco, em 1955, ato que era obrigatório por lei. A prisão de Parks, que morreu em 25 de outubro de 2005 aos 92 anos, desencadeou a luta pelos direitos civis, rendendo-lhe o apelido de mãe do movimento.




Policial mostra garota negra sul-africana que foi pintada de branco por ordem da gerente branca de uma loja, devido a uma acusação de furto ao local. O fato ocorreu em agosto de 2000 em Louis Trichardt, uma cidade conservadora ao norte da África do Sul.





Os norte-americanos Tommie Smith (ouro) e John Carlos (bronze) fazem saudação dos Panteras Negras no pódio após chegarem nas primeiras posições na corrida dos 200 m dos Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1968.



O ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela simula um golpe no ex-boxeador Muhammad Ali. Mandela foi o primeiro presidente negro da África do Sul e comandou o desmonte do regime de apartheid.



Foto de 1976 mostra protesto de sul-africanos negros contra a obrigatoriedade de se ensinar Africâner, um dialeto associado à minoria branca, nas escolas segregadas da Cidade do Cabo, na África do Sul do período de apartheid.




Martin Luther King foi um pastor e ativista político norte-americano e uma das inspirações do presidente eleito Barack Obama.




quarta-feira, 12 de novembro de 2008

DOS DIREITOS HUMANOS...


WASHINGTON (AFP) - O Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) fez um apelo em seu relatório anual, divulgado nesta quarta-feira, pelo avanço dos direitos das mulheres e pelo fim da discriminação contra a população feminina em todo o mundo.

Do um bilhão de habitantes mais pobres do planeta, 60% são mulheres e meninas, destaca o relatório 2008 sobre o estado da população mundial. Dois terços dos 960 milhões de adultos que não saben ler são mulheres, e 70% das crianças que não vão para a escola são meninas, segundo o documento.

A melhoria dos direitos das mulheres será mais fácil se os agentes capazes de operar as mudanças necessárias forem sensíveis à cultura local, indica o informe, destacando que as culturas ajudam a definir a maneira pela qual as pessoas interagem e influem em sua forma de ver o desenvolvimento.

"Fazer avançar os direitos humanos exige que se saiba apreciar a complexidade, a fluidez e o caráter central da cultura (...), trabalhando com os agentes locais de mudança", explica.

O Fundo reconhece a religião como um fator fundamental de várias culturas, mas adverte que, em alguns casos, também pode servir para justificar graves violações dos direitos humanos, como os crimes de honra.

A UNFPA publica um relatório anual sobre o estado da população desde 1996.


domingo, 9 de novembro de 2008

A ARTE DE DIZER, OUVIR E RESPEITAR UM "NÃO"...

Excelente texto, recebido por e-mail, mas ao checar a fonte descobri que quem escreveu foi Karina Cabral, a quem dou os merecidos créditos.


Texto de Karina Cabral


CRIANDO UM MONSTRO

O que pode criar um monstro?
O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por... Nada? Será que é índole?
Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade?
O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?
O rapaz deu a resposta: 'ela não quis falar comigo'.
A garota disse não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não.
Seu desejo era mais importante. Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados.

Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único. Faltaram muitos outros nãos nessa história toda.
Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19.
Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha.
Faltaram outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida.
Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá.
Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador converssasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram.
Simples assim. NÃO.
Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça.
O mundo está carente de nãos.

Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças.
Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos ( e alguns maridos, temem dizer não às esposas ).
Pessoas têm medo de dizer não aos amigos.
Noras que não conseguem dizer não às sogras.
Chefes que não dizem não aos subordinados.
Gente que não consegue dizer não aos próprios desejos.
E assim são criados alguns monstros.
Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco.
Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.

Os pais dizem, 'não posso traumatizar meu filho'. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes.
Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer:

- Não, você não pode bater no seu amiguinho.
Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos.
Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei.
Não, você não vai passar a madrugada na rua.
Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação.
Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos.
Não, essas pessoas não são companhias pra você.
Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate.
Não, aqui não é lugar para você ficar.
Não, você não vai faltar na escola sem estar doente.
Não, essa conversa não é pra você se meter.
Não, com isto você não vai brincar.
Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam. Usam drogas. Compram armas. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante.
Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não.
Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer - é também responsabilidade.
E quem ouve uns nãos de vez em quando, também aprende a dizê-los quando é preciso.
Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem.
O não protege, ensina e prepara.
Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento.
Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor.
E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.




sexta-feira, 24 de outubro de 2008

EXPOSIÇÃO - RESTAURO DO PALÁCIO DA JUSTIÇA DE PORTO ALEGRE/RS

Themis, a deusa da Justiça também é homenageada na exposição (Divulgação)


Artista: Carlos Maximiliano Fayet
Data: de 29/09 a 02/11/2008
Horário: seg a sex, das 10h às 22h - sab e dom, das 14h às 20h
Valor: Gratuito

O Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Metodista em parceria com o DC Shopping promovem uma exposição sobre o projeto de restauro do Palácio da Justiça. A obra foi concebida pelo arquiteto Carlos Maximiliano Fayet em parceria com o arquiteto Fernando Corona, em concurso realizado em 1952. Está localizada na Praça da Matriz, na época foi considerado o projeto de arquitetura contemporânea mais importante na cidade de Porto Alegre.

Cinqüenta anos após a sua inauguração, o prédio do Palácio da Justiça foi restaurado pelo mesmo arquiteto Fayet - o arquiteto Fernando Corona já era falecido na época. O projeto de restauração é mote para a exposição. São mais de quarenta fotos e painéis, de dupla face, que retratam a concepção arquitetônica desde a construção do prédio ao restauro, iniciado em 2002 e concluído em 2005. Através do restauro foram executadas obras que integravam o projeto original como a escultura da Deusa da Justiça- Themis - e os painéis que ocupam as laterais do edifício.

A exposição está dividida em três partes:


Arquitetônica - que inclui desde 1952 toda a criação/projeto do prédio com desenhos e fotos da construção e o restauro com plantas e fotos do antes e depois.
Themis - Deusa da Justiça – todo o processo de criação, com fotos dos moldes e as etapas importantes, da escultura de nove metros de altura, em bronze, que ocupa a empena sul do prédio.
Painéis – localizados nas fachadas leste e oeste – Retratam paisagens do Rio Grande do Sul (fauna e flora) e também fatos e personalidades que fizeram a história do Estado.

A OBRA DE ARTE E O DIREITO

A arte e o direito... Temas distintos e apaixonantes!



"Aparentemente, a obra de arte e a Ciência do Direito constituiriam domínios totalmente distantes e estanques, sem nenhum tipo de relação óbvia.

Alguns poderiam arriscar que o Direito, tal como apresentado na nossa sociedade, constituiria produto de uma possível elaboração artística do legislador e, por conseqüência, o Direito seria uma obra de arte, com conteúdo inspirado na cultura e na realidade que tenta regulamentar através de suas normas. Com tal pensamento, inferiria-se, sem pouca modéstia, que o Direito Brasileiro seria um objeto artístico, verdadeira obra prima, portanto, melhor do que os outros Direitos existentes mundo afora.

A questão, porém, não é bem essa. Na verdade, o Direito não poderia ser considerado como uma obra de arte stricto sensu, porque nenhum especialista em Arte o reconheceu como tal. Aliás, não existe nenhum museu que tenha como objeto de apreciação o Direito Brasileiro.

O discurso competente para dizer o que é a Arte em determinado período histórico e em certa situação cultural não focou suas críticas e reconhecimento no ordenamento jurídico brasileiro, mas não seria despiciendo se algum crítico literário, por exemplo, dissesse que o Direito Brasileiro positivo, representado pela Constituição Federal, é uma obra de arte, digna dessa qualificação porque reconhece os direitos humanos, os quais soam como poesia para a cultura e realidade atual.

A verdade é que tanto o Direito como a Arte pressupõem, para reconhecimento como tais, de uma entidade dotada de autoridade e vontade competente para dizer o que é ou não é Direito e Arte.

O discurso popular que qualifica algo como sendo “Arte” não tem lugar quando o assunto passa a termos científicos, isto é, considerar o futebol ou a culinária como “artes” são metáforas e expressões populares que não têm cabimento para delimitar o campo artístico stricto sensu. O mesmo ocorre com o Direito, pois o ordenamento composto por integrantes de uma favela ou de uma comunidade dada é considerado “direito” para aquele círculo específico de pessoas, mas não encontra guarida se reivindicado, por exemplo, num Tribunal, já que o Direito verdadeiro é aquele posto pela autoridade do Estado, institucionalizado e válido segundo preceitos formais previstos para o processo legislativo na Constituição Federal.

A obra de arte, então, para ser reconhecida com o mencionado status deve ter a aprovação e sabatina do discurso competente, isto é, deve ser aprovada pelos técnicos, críticos e profissionais da Arte que avaliarão, num juízo criterioso, se o objeto em questão terá o título de exclusividade, qual seja, de ser chamado de objeto artístico.

A Arte, deste modo, constitui-se em um campo do saber com objeto bem delimitado. Não é qualquer manifestação material ou abstrata que será Arte, nessa acepção científica.

O museu, uma apresentação musical de uma sinfonia ou de uma ópera são exemplos de incontestável presença de manifestação artística, porque os críticos, peritos e profissionais da Arte disseram e classificaram tais como Obras de Arte.

Como já foi dito, o que é ou não obra de arte dependerá do argumento de autoridade de quem diz e estabelece esse status. As concepções sobre o objeto artístico podem mudar com o passar do tempo, pois a avaliação e juízos de valor sobre a determinação do Belo são contingentes e adaptáveis às circunstâncias históricas, culturais , sociais e locais.

Do mesmo como a Arte é institucionalizada, a produção do Direito também o é, devido a interferência do Estado nesse domínio, dizendo o que é ou não é o Direito. Nisso consiste a aproximação do Direito e da Arte, na demarcação do seu objeto e na impossibilidade de estender por demasiado seu campo de abrangência.

Não é por isso que as outras formas de manifestação cultural deixarão de existir, mas enquanto não forem parar num museu ou exposição, não serão Obras de Arte genuínas. O mesmo ocorre com os ordenamentos que regulam áreas específicas, mas fora da jurisdição do Estado.

Existem mas encontram grandes dificuldades para aplicação, já que não têm o argumento de autoridade e o discurso competente para o reconhecer.

Contudo, se algum perito descobrir o Direito Brasileiro, poderá este, um dia, ser verdadeira Obra de Arte. É só ser otimista e ficar na torcida!"


Caroline de Camargo Silva Venturelli ( carolineusp@yahoo.com.br )
Graduanda em Direito pela Universidade de São Paulo (USP)


Fontes Consultadas
- COLI, Jorge. O que é arte?. São Paulo: Brasiliense, 2003.


DIREITO E ARTE

Parece certo que, por mais que estudemos literatura, teatro ou pintura, é pouco provável que um dia escreveremos como um Tolstoi, representaremos como um Jack Nicholson ou pintaremos como um Picasso. É que a arte, movida grandemente pela inspiração, requer qualidades que estão além da técnica, que pode eventualmente ajudar a aperfeiçoá-las, mas que dificilmente fará de um desafinado um virtuoso.

Talvez se possa dizer o mesmo do direito: uma excelente formação dogmática não é garantia de decisões justas, porque a técnica, no direito como na arte, só pode oferecer, na melhor das hipóteses, isso: decisões tecnicamente corretas. Mas decisões tecnicamente corretas não são necessariamente decisões justas, assim como decisões tecnicamente incorretas não são necessariamente decisões injustas (v.g., algumas decisões do tribunal do júri). É que uma boa interpretação, na arte como no direito, mais do que técnica e razão, exige talento e sensibilidade. E a técnica jurídica é apenas um meio a serviço de um fim: a justiça.

Existem outras semelhanças entre direito e arte. Ainda hoje é muito comum confundir lei e direito, como se fossem a mesma coisa. No entanto, confundir lei e direito equivale a confundir partitura e música, que são, obviamente, coisas distintas, podendo inclusive existir uma sem a outra. Com efeito, é perfeitamente possível produzir sons, melodias e música, como é comum, aliás, e principalmente compor, sem partitura alguma, a revelar que a música independe da partitura. Pois bem, o mesmo ocorre com o direito: é possível decidir casos sem nenhuma lei: basta pensar nos conflitos havidos em comunidades mais primitivas (v.g., indígenas) ou no commom law, além dos inúmeros casos não disciplinados pela lei (lacuna legal). O direito, como a música, existe com ou sem lei, com ou sem partitura.

Mas talvez o mais importante resida nisso: uma mesma partitura pode ser tocada de mil formas e ritmos, como, por exemplo, na forma de música clássica, rock, samba etc. E cada um desses ritmos e sons variará conforme o seu intérprete, suas influências, experiência, talento, formação etc. Também assim é a lei: uma lei, por mais clara e precisa, pode ser interpretada de diversos modos, variando conforme os pré-conceitos, influências, experiências, motivações, sensibilidade etc. do seu intérprete. A lei é uma partitura que pode ser interpretada de mil formas.

Não se deve, pois, confundir lei e direito, assim como não se deve confundir partitura e música: a música é o que decorre da execução do músico; o direito é o que resulta da interpretação do juiz ou tribunal. O direito, como a música, não é a lei nem a partitura: o direito é interpretação. Algumas interpretações julgamos boas e aplaudimos, outras julgamos ruins e condenamos.

Paulo Queiroz

Doutor em Direito (PUC/SP), é Procurador Regional da República, Professor do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) e autor do livro Direito Penal, parte geral, S. Paulo, Saraiva, 3ª edição, 2006.

Fonte:
http://pauloqueiroz.net/direito-e-arte/